O sofá amarelo

Anda muita gente empolgada por a Câmara de Famalicão colocar algures na cidade um sofá amarelo onde se pode dar contributos para o futuro do município.
À primeira vista até parece uma boa ideia, no entanto convém enquadrar as coisas.
Há mais de oito anos que a maioria PSD/CDS que governa os destinos de Famalicão tem vindo a chumbar propostas do Bloco de Esquerda (e de outros partidos) para implementar o Orçamento Participativo, onde a população poderia propor e decidir sobre uma parte das verbas do OM, à semelhança daquilo que acontece já em vários municípios do país.
Também outros instrumentos de participação efetiva das populações nos destinos do município não passam de ideias que só existem em teoria, refiro-me concretamente à Agenda 21 local e à Cidade Educadora.
Escusado será repetir que sistematicamente a Câmara Municipal ignora as recomendações aprovadas pela Assembleia Municipal quando são propostas por partidos da oposição. Em alguns casos só muito mais tarde as coloca em prática como se fossem suas.
Mas já que existe um sofá amarelo, importa questionar:
– Até que ponto as propostas apresentadas pela população serão implementadas se forem contrárias ao programa eleitoral da Coligação PSD/CDS que ganhou as últimas eleições autárquicas?
– Quem irá determinar a aplicabilidade e fará a triagem das mesmas propostas?
Show-off não contribui para um desenvolvimento equilibrado.