Mandela e o cruzamento

1 – Por estes dias vivemos a despedida física de Nelson Mandela, que partiu ficando connosco eternamente no seu exemplo, na sua determinação e capacidade única de unir e perdoar.
Sinto-me um privilegiado por ter vivido no mesmo tempo deste icon histórico cujo legado se tornou universal numa abrangência a que ninguém ficou indiferente. A sua luta e a vitória contra a segregação racial continuam ainda hoje a ser uma referência à escala global apesar dos votos contra dos ditos poderosos.
Tivéssemos nós alguns dirigentes e responsáveis capazes de se aproximar de Mandela na capacidade de unir, de perdoar e de amar e certamente viveríamos num mundo muito mais harmonioso e justo.

2- Infelizmente, há pouco mais de uma semana registou-se mais um acidente e mais uma morte no cruzamento da Rua Padre António Vieira com a Estrada Nacional 14/ Av. dos descobrimentos em Pelhe, na União de Freguesias de V. N. de Famalicão e Calendário. Lamentavelmente não é a primeira morte devido a acidentes no mesmo local.
Pode-se sempre referir alguma imprudência de quem conduz, mas torna-se evidente que há fatores que potenciam a ocorrência de acidentes naquele local, desde a inclinação da via, à passagem de uma via com duas faixas para apenas uma, a fraca iluminação pública, etc. Compete às entidades públicas com responsabilidades sobre aquela via tomar as medidas necessárias para garantir melhores condições de segurança e fazer com que o risco de acidentes seja o menor possível.
Enquanto deputado municipal, na reunião da Assembleia Municipal de fevereiro passado, questionei a Executivo Municipal sobre a situação daquele cruzamento. Na resposta foi-me dito que a Câmara estava a preparar uma intervenção no local, sem referências ao tipo de intervenção nem para quando.
Desde então, apenas verifique que foi colocado um novo sinal vertical de obrigação que reduz o cruzamento de veículos. Lamentavelmente, não foi suficiente para evitar mais acidentes e mais uma morte. Nada foi feito no sentido de obrigar a passar no local com uma velocidade menor, por exemplo.
Passou já mais de uma semana e local continua às escuras durante a noite, reduzindo a segurança e potenciando a ocorrência de mais acidentes. Alguém terá que assumir a responsabilidade de algum acidente que ali ocorra devido à falta de iluminação pública.
A responsabilidade da segurança na estrada é de quem conduz, mas é também de quem constrói as vias e de quem é responsável pela sua manutenção e pela eliminação de potenciais riscos. A Câmara Municipal tem neste âmbito uma responsabilidade muito grande.
Uma qualquer vida que possa estar em risco vale seguramente muito mais que todas as visitas a empresas de sucesso em tom de campanha eleitoral permanente.

(Crónica publicada no jornal Opinião Pública em 12 de dezembro de 2013)

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