Quantos pobres nos custa um rico?

Tivemos por estes dias a confirmação de que nestes últimos anos aumentou o número de milionários em Portugal e também aumentou o valor das suas fortunas.

Esta até poderia ser uma boa notícia se isso representasse uma evolução na riqueza do país e dos portugueses, no entanto isso acontece precisamente pela razão inversa. Com o aumento de alguns milionários, aumenta também exponencialmente o número de pobres e de pessoas na miséria.

Eis a triste realidade do país que temos. Como escreveu Mia Couto “A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.”

Na prática, o governo (a mando da troika e querendo ir além dela) continua a destruir tudo o que gera riqueza e faz fluir o dinheiro da maioria das pessoas para aumentar as fortunas de alguns.

Isto acontece porque somos dominados pela uma direita neoliberal, na Europa, em Portugal e em Famalicão. Uma direita que apoia e protege os grandes interesses e que vem com a caridadezinha para os podres que as suas políticas originaram. Uma direita que destrói o Estado social como garante da igualdade e da dignidade ao entregar os serviços públicos e as empresas públicas aos privados ávidos de lucro.

A direita é assim, as suas governações sempre aumentaram o fosso entre ricos e pobres, veja-me por exemplo o que está a ser feito com a degradação da escola pública e o apoio aos colégios privados, originando uma educação para ricos e outra para pobres.

Seria muito mau se tudo isto, se esta governação fanática fosse imposta aos portugueses sem que o pudéssemos impedir ou que houvesse outras opções. Na realidade, foram os portugueses que escolheram este caminho ao escolherem (votando ou abstendo-se) esta governação de direita radical.

O populismo tem o poder de fazer ganhar eleições porque ofusca a lucidez necessária para que a maioria das pessoas avalie convenientemente o contexto e as diversas opções e propostas apresentadas ao eleitorado.

Maior exigência para com os políticos e suas opções e certamente não teríamos um país tão injusto e tantas desigualdades.

Orgulho-me de ser de esquerda. De uma esquerda que faça com que a diferença entre ricos e pobres seja a menor possível e que a que exista seja resultante da capacidade empreendedora e do dinamismo de cada um. Uma esquerda que respeite e valorize o trabalho em vez de generalizar a precariedade. Uma esquerda que defenda serviços públicos de qualidade e de proximidade para todos, como a Saúde, a Educação, a Justiça ou a Segurança.

Não me venham dizer que não há dinheiro para tudo isto. A direita usa o dinheiro dos nossos impostos para pagar juros agiotas e na ajuda a banca (por isso é que aumenta o número de ricos).

Uma verdadeira esquerda defende as pessoas antes de tudo o resto.

(Crónica publicada no jornal Opinião Pública em 14 de Novembro de 2013)

Deixe um comentário