Que a Europa não nos passe ao lado!

Estamos a dois meses das Eleições para o Parlamento Europeu. O passado recente tem-nos mostrado uma abstenção elevada nas anteriores Europeias, demonstrando um preocupante desinteresse dos portugueses por estas eleições.

No cenário de uma crise económica, em especial dos países do sul da Europa (sob o jugo da exploração das diversas troikas), de uma enorme desigualdade entre estados membros e numa grande crise de confiança das pessoas nas instituições que as representam, estas eleições revestem-se de uma importância ainda maior para o futuro da União Europeia e em especial de países como Portugal.

É pois tempo de questionarmos sobre o que cada um de nós sabe sobre a Europa onde estamos inseridos. O que sabemos afinal sobre as características, as competências e as responsabilidades de instituições como o Parlamento Europeu? Ou da Comissão Europeia? Ou sobre o Conselho Europeu? Ou do Banco Central Europeu? Ou mesmo da própria União Europeia?

A resposta a grande parte destas questões podem ser encontradas em www.europa.eu/.

Uma coisa são os formalismos e as boas intensões dos diversos tratados, outra coisa é como realmente a União Europeia funciona e como resultam daí fortes implicações para a vida de muitos milhões de pessoas em todo o espaço europeu. É preocupante que as decisões mais importantes sejam tomadas apenas por uma ou duas pessoas como tem acontecido com Merkel e Durão Barroso. Não é pois de estranhar que haja tantas desigualdades numa Europa que se deseja unida.

Estas eleições Europeias que se avizinham são um escasso momento em que cada um de nós pode ajudar a decidir sobre o futuro desta Europa. Daí serem tão importantes e merecerem de cada um de nós uma atenção especial e um voto consciente e esclarecido.

Neste próximo mandato de 5 anos, por força do alargamento da união Europeia, Portugal irá perder um eurodeputado, passando a ter apenas 21. Esses e essas 21 nossos representantes terão uma responsabilidade muito maior, do mesmo modo que cada um de nós tem uma responsabilidade muito maior ao votar e escolher esses e essas 21 representantes do nosso país.

Agora que as candidaturas já estão no terreno, justifica-se uma maior atenção da parte da população. Muito mais importante que alguns espaços de opinião na comunicação social por parte de alguns candidatos, é conhecer os programas eleitorais dos partidos e aquilo que isso representa para o futuro da União Europeia e também para Portugal.

É altura de escolher entre das desigualdades nos estados membros, em que a austeridade e os sacrifícios de alguns alimentam os benefícios de outros; ou uma verdadeira união em que os sacrifícios e os benefícios são equilibrados e repartidos.

As escolhas nas Europeias são entre os que querem a austeridade permanente e cada vez mais sacrifícios para os portugueses e aqueles que defendem outras soluções para a crise, como a reestruturação da dívida soberana como a melhor forma de sair desta crise.

A escolha será sua!

Crónica publicado no Jornal Opinião Pública em 03/04/2014

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