Restart

Foi em janeiro de 2006 que o jornal Opinião Pública me facultou a oportunidade de publicar uma crónica quinzenal, alternando com Paulo Costa. Durante quatro anos mantivemos a regularidade da escrita, até que em 2009 a minha candidatura à Assembleia Municipal e as responsabilidades institucionais que daí resultaram levaram-me a escrever apenas pontualmente.

Nesta nova fase, venho de novo retomar com regularidade esta atividade cívica de expor nestas linhas que o jornal Opinião Pública me disponibiliza os meus pontos de vista sobre os mais diversos assuntos. Fazendo eu parte de um partido político, no caso o Bloco de Esquerda, não será de estranhar que as questões políticas venham a ter maior predominância.

Considerando a autêntica asfixia mediática e de opinião que se vive em Vila Nova de Famalicão, imposta pelos diversos poderes instituídos, é absolutamente imperioso que surja uma nova vaga de produtores de opinião. Urge criar contraditório capaz de despertar uma visão diferente daquela que nos é sistematicamente imposta. Não necessariamente contrária, mas diferente.

É verdade que hoje temos as redes sociais e as novas tecnologias da informação, por onde a informação e a opinião abundam e onde todos temos acesso a novas plataformas e meios de divulgação da nossa opinião. Apesar disso, há ainda muita gente a quem o prazer da leitura chega apenas pelas folhas de um jornal.

Uma sociedade evoluída deve ter uma ampla e robusta pluralidade de informação e de opinião. Infelizmente, há neste âmbito um longo caminho a percorrer em Vila Nova de Famalicão.

O debate aberto e plural de assuntos importantes para a sociedade praticamente não existe fora da época de eleições autárquicas. Se juntarmos a isso a inundação de notícias que a máquina de propaganda do regime debita e que “alimenta” a comunicação social local, a maioria dos famalicenses fica sem meios nem condições de avaliar convenientemente as decisões e as opções tomadas e que influenciam a vida de todos nós. Como se isto não bastasse, temos até o facto de, por exemplo, um órgão de comunicação social simplesmente ignorar a existência de um ou mais partidos políticos e nunca publicar uma única linha sobre a sua atividade, apesar de a receber, a situação é ainda mais preocupante.

Neste contexto, jamais me poderia recusar a dar o meu contributo, mesmo que singelo, para mostrar um ponto de vista diferente, uma nova visão, para despertar consciências e suscitar debate.

Continuaremos e ver-nos por aqui.

(Crónica publicada no jornal Opinião Pública em 31 de outubro de 2013)

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